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Partindo de Aruba seguimos para noroeste até chegar na plataforma dos 2 mil metros de profundidade, á 40 milhas da Peninsula de la Guajira na costa colombiana.
Na região da Colômbia ao Panamá o mar costuma ser muito turbulento, ondas gigantes desencontradas, e com muita freqüência ocorrem chuvas e tempestades de raios.
Há duas correntes responsáveis por esta turbulência, há uma que desce a costa de Honduras, Nicarágua e costa rica, de norte para sul. E a outra corrente é um seguimento da corrente Norte Equatorial trans Atlântica, que de Oeste para Leste cruza o atlântico se chocando com a América, para originar dois seguimentos, um
que ruma para nordeste por fora das Antilhas menores, assumindo ai parte da corrente do golfo, e outro seguimento que ruma para leste costeando os mares venezuelanos até chegar a costa da Colômbia e do Panamá, para ai se encontrar com a primeira corrente. A região de encontro destas duas correntes é considerada por alguns velejadores como uma das 5 piores travessias do mundo, com ondas e ventos famosos por capotar e afundar embarcações.
Por estas condições navegamos na zona dos 2 mil metros de profundidade, para evitar ondas com períodos curtos e as tempestades formadas nas cordilheiras colombianas.
Após passarmos a longitude da península de la Guajira na Colômbia, fomos surpreendidos por rajadas que passavam de 30 nós. Ao longo do dia, conforme navegávamos para oeste as ondas foram crescendo e atingiram 7 metros de altura. Havia ondas quebrando em todas as direções. Enquanto o barco surfava uma onda de leste outras vinham de sul ou norte e se chocavam formando pirâmides tubulares gigantescas que varriam nosso convés. Boa parte delas foram nos encontrar dentro do barco, enquanto deitados em nossas camas líamos ou cochilávamos.
Apesar do desconforto, o Alma cavalgou sólido entre as pirâmides de água. Com apenas a genoa no segundo riso nosso GPS registrou a surpreendente velocidade de 10.8 nós. Nossa única perda foi à mestra rasgada de uma ponta a outra.
A travessia foi uma das mais difíceis, porém uma das mais belas. Logo na saída de Aruba recebemos a visita de mais de trinta golfinhos que pulavam alto como nunca tínhamos vistos na viagem, em seguida pegamos nosso primeiro dourado, que apelidamos de Jonny o Dorado.
A partir deste momento dourados seguiram o barco dando pulos como loucos, o Caxa quase pegou um com o puçá. No terceiro dia a mais de 70 milhas da costa um gavião, provavelmente perdido e cansado, quase rasgou a genoa com suas garras, era um típico gavião Andino com mais de 1,5 metros de envergadura e uma plumagem marrom escura. 
Após 4 dias nestas condições chegamos aos fiordes colombianos. No quinto dia vimos o sol surgir atrás da cordilheira que cerca o pico Sierra Nevada, umas das maiores montanhas da América.
O mar se fez de paz, o clima úmido sereno banhou nossos corpos que após nove meses se espantaram com a grandiosidade de se encontrar com o continente. Paredes rochosas se erguiam do mar na área do parque Tayrona, a vegetação verde como a da mata atlântica, cortada por riachos, nos passou a sensação de estarmos no litoral norte de São Paulo.
Ancoramos na primeira das cinco baias do parque, e após ordens da Guarda Costeira nos dirigimos ao porto de Santa Marta para darmos entrada no território colombiano.
Saimos de santa marta á dois dias e estamos ancorados na terceira baia do parque Tayrona.
Acordei cedo, preparei um café e sentei-me ao cokpit. Sete horas da manhã, estou observando 2 gaviões que contornam o morro a minha esquerda, e mais á frente um grupo de 5 urubus planeiam sobre a baia toda.
Os gaviões são majestosos, seguros de si, movem-se com gestos mais suaves e precisos, o tamanho da envergadura de suas asas, incomparáveis com as dos urubus, o permitem que planem em altitudes mais baixas com vento mais fraco. Os dois gaviões contornam as escarpas das montanhas, subindo nas térmicas formadas pelo vento que vem do mar. Vasculham, munidos de suas garras, minuciosamente todo o seu território. Calmos e seguros se arremessão para dentro da floresta.
Já os urubus, as suas asas chagam a bater quase que para frente de sua cabaça, passam meio destrambelhados. Porém, quando planam estabelecem uma estabilidade admirável, e permanecem nas alturas por muito mais tempo. Percebe-se que são animais mais covardes, andam observando tudo só esperando uma boa oportunidade e sempre querem causar uma boa impressão.
Quando os urubus chegam mais perto dos gaviões, são espantados quase que apenas por olhares, temem o olhar seguro do gavião. Mas, nota-se, que também estão em seu lugar, transmitem paz e equilíbrio. A natureza esta em constante harmonia, os animais se respeitam e reconhecem seus lugares.
Estávamos em Santa Marta, que é um dos maiores portos da Colômbia, e observávamos diariamente o funcionamento do porto. Os navios equipados com guindastes, desembarcavam os contêiner diretamente sobre os caminhões, e estes em seguida pegavam a estrada. No navio de minério, enormes pás descarregavam a areia preta em cima das esteiras, que à acumulavam a centenas de metros. A logística era impressionante, nada travava no processo, tudo sempre em movimento. Mas a fumaça, a poluição sonora e o óleo jogado na água , apagavam o brilhantismo de toda esta genialidade. Na natureza é diferente …
Agora duas fragatas passam por cima do barco. Em algumas ilhas do Pacífico as fragatas chegaram a ser domesticadas pelos nativos e usadas como pombo correio entre as ilhas. Suas asas longas e finas em V, e sua cauda em forma de tesoura lhe transforma num dos animais com maior habilidade e autonomia de vôo. No acasalamento o macho infla um papo vermelho para conquistar a fêmea. Elas nunca pousam em praias ou no mar, pela dificuldade de levantar vôo. Alimentam-se de peixes, e muitas vezes pode-se observar perseguições, onde as fragatas tentam roubar a caça das gaivotas e das patolas.

